Sugestões para oferecer ou para ler...


sábado, 18 de fevereiro de 2017

"AS DUAS IRMÃS"

Foi a primeira obra que li de Agatha Christie fora do contexto "policial/thriller/mistério" e fiquei surpreendida, embora não seja um livro fantástico.
Como sempre a autora tem uma capacidade fenomenal de descrever as personagens e de nos fazer agarrar o melhor de cada uma delas.
Laura é uma personagem deliciosa e deveras interessante, quer na sua infância, quer na idade adulta.
Já a sua irmã Shirley deixa muito a desejar, não foi uma das personagens que me tocaram.
O que me despertou de facto a atenção foi a forma algo subtil como a autora aborda o tema amor, o que a falta ou excesso deste sentimento pode despertar na vida de cada pessoa, chegando mesmo a influenciar as suas vivências futuras.
O final é um pouco estranho, mas não deixa de se enquadrar no contexto da obra.

Laura Franklin fica muito afetada pelo nascimento da irmã. Como seria de esperar, a encantadora bebé Shirley concentra as atenções da família. Os ciúmes de Laura são tão intensos que ela chega a desejar a morte de Shirley. Mas estes sentimentos negativos mudam drasticamente certa noite, quando, após um incêndio, jura protegê-la com toda a sua força e amor. Anos depois, quando Shirley começa a ansiar por liberdade e aventura, Laura terá de questionar os limites de uma relação que se tornou desigual. Terá o fardo do seu amor pela irmã tido um efeito dramático e irreversível sobre as suas vidas?
Notas sobre a autora:
Agatha Christie nasceu Agatha May Clarissa Miller, em Torquay, na Grã-Bretanha, em 1890. Durante a I Guerra Mundial, prestou serviço voluntário num hospital, primeiro como enfermeira e depois como funcionária da farmácia e do dispensário. Esta experiência revelar-se-ia fundamental, não só para o conhecimento dos venenos e preparados que figurariam em muitos dos seus livros, mas também para a própria concepção da sua carreira na escrita. Com o seu segundo marido, o arqueólogo Max Mallowan, Agatha viajaria um pouco por todo o mundo, participando activamente nas suas escavações arqueológicas, nunca abandonando contudo a escrita, nem deixando passar em claro a magnífica fonte de conhecimentos e inspiração que estas representavam.
Autora de cerca de 300 obras (entre romances de mistério, poesia, peças para rádio e teatro, contos, documentários, uma autobiografia e seis romances publicados sob o pseudónimo de Mary Westmacott), viu o seu talento e o seu papel na literatura e nas artes oficialmente reconhecidos em 1956, ano em que foi distinguida com o título de Commander of the British Empire. Em 1971, a Rainha Isabel II consagrou-a com o título de Dame of the British Empire. Deixando para trás um legado universal celebrado em mais de cem línguas, a Rainha do Crime, ou Duquesa da Morte (como ela preferia ser apelidada), morreu em 12 de Janeiro de 1976. Em 2000, a 31st Bouchercon World Mistery Convention galardoou Agatha Christie com dois prémios: ela foi considerada a Melhor Autora de Livros Policiais do Século XX e os livros protagonizados por Hercule Poirot a Melhor Série Policial do mesmo século.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

"A PRAIA ROUBADA"

A história deste livro faz-me lembrar aquelas pequenas comunidade (aldeias ou vilas) um pouco espalhadas por todo o país em que, não obstante o facto de ficarem ao lado umas das outras, vivem grandes rivalidades entre si e que os "ódios de estimação" são alimentados durante anos e anos, passando de geração em geração.
Duas pequenas ilhas que se avistam entre si, em que as suas comunidades vivem momentos de tensão e "pequenas guerras" entre si, em que vigiam e invejam os negócios uns dos outros, e em que o facto de terem menos ou mais areia nas suas praias só serve para acentuar ainda mais as discórdias.
Embora goste muito da escrita de Joanne Harris, nesta obra por vezes a narrativa é um pouco dispersa e maçadora, embora o desenlace final tenha sido melhor do que eu estava à espera.
Uma história que nos faz pensar que para as coisas dêem certo, convém que toda a gente "reme" para o mesmo lado...

Encerradas numa pequena ilha na costa do Atlântico, duas comunidades vivem de costas voltadas entre si. Enquanto La Houssinière se transformou numa cidade próspera devido ao turismo que a única praia de toda a ilha lhe proporciona, Les Salants permaneceu esquecida no tempo, habitada apenas por pescadores e marinheiros que, tal como a vida que levam, são rudes e amargos. Mado nasceu em Les Salants, mas cedo partiu com a mãe para Paris. Após a morte desta, a jovem decide voltar à ilha da sua infância e reencontrar o pai. Mas o regresso ao passado não é fácil. A ilha, constantemente varrida por um vento inclemente, encerra em si todo um universo de mistérios e contradições, inacessíveis a uma "desconhecida". Mas, estranhamente, tal parece não ter acontecido com Flynn, um jovem irlandês que, embora recém-chegado, é alvo da afeição e da confiança de todos, até do pai de Mado, um homem cujo coração está fechado para o mundo e que se mantém teimosamente recolhido num silêncio sepulcral. Face a uma comunidade fechada, supersticiosa e apostada em manter acesos ódios ancestrais, Mado decide desafiar a sorte e as marés e consegue vencer o orgulho e as crenças dos habitantes de Les Salants. Juntos, vão tentar mudar o futuro da povoação e o seu próprio destino. Para Mado, esta vai ser uma incursão no amor e o (re)encontro com os valores familiares e comunitários. Poderá um castelo de areia sobreviver às marés? Inspirado na ilha onde Joanne Harris passou alguns momentos da sua infância, A Praia Roubada transporta-nos de imediato para a nossa própria infância e, especialmente, para os inesquecíveis dias ociosamente passados à beira-mar.
Notas sobre a autora:
Escritora franco-inglesa, Joanne Michèle Sylvie Harris nasceu a 3 de Julho de 1964, em Yorkshire. Filha de pai inglês e mãe francesa, ambos professores, cresceu sentindo-se deslocada por força do seu bilinguismo, num meio adverso ao cosmopolitismo. Refugiou-se portanto na leitura, que povoou a sua fantasia de amigos imaginários, sobretudo nos primeiros dez anos da sua vida. Estudou no Wakesfield Girl's High e no Barnsley Sixth Form College. Passou grande parte da sua adolescência a escrever, imitando os seus autores favoritos, à procura do seu próprio estilo. Ao terminar o ensino secundário, ingressou no St. Catherine's College de Cambridge, onde se diplomou em Línguas e Literaturas Medievais e Modernas, Variante de Estudos Franceses e Alemães. Neste período envolveu-se em algumas actividades extra-curriculares, como a prática do Ju-Jitsu e a música, chegando a actuar em vários bares de Cambridge com o seu baixo. Antes de responder à vocação familiar do ensino, passou por uma breve fase em que trabalhou como guarda-livros e como música. Começou depois a ensinar Francês na Leeds Grammar School e, mais tarde, Literatura Francesa na Universidade de Sheffield. Em 1989 publicou o seu primeiro romance, The Evil Seed, a que se seguiu Sleep Pale Sister (1993). Ambas as obras passaram despercebidas pela crítica, nunca chegando a ser reeditadas. No entanto, dez anos após o aparecimento do seu primeiro trabalho, surgiu com Chocolat (1999). A obra, que constituiu um sucesso de vendas imediato, foi nomeada para um Prémio Whitbread. Situado num lugar exótico no vale do Loire, em França, o romance contava a história de uma jovem viúva que chega a uma aldeia oprimida e decide abrir uma lojas de chocolates, que usa para adoçar a amargura da população. Foi adaptado para o cinema pelo realizador Lasse Hallström, contando com a presença de Juliette Binoche no papel principal. No ano de 2001 apareceu Five Quarters Of The Orange (Cinco Quartos de Laranja), a que seguiram Blackberry Wine (2001), The French Kitchen, A Cookbook (2002), Coastliners (2002, A Praia Roubada) e Holy Fools (2003).

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

ARROZ DOCE DE COUVE FLOR

Cá está mais uma daquelas receitas que as pessoas torcem o nariz e dizem "que horror!!!"... confesso que eu também pensava assim, e também achava que esta combinação de ingredientes não fazia o mínimo sentido.
Mas à medida que nos habituamos ao estilo de vida/alimentação Paleo, começamos a perceber que afinal o que não faz sentido são as "teorias" que nos têm impingido ao longo dos anos.
Se me perguntarem se este arroz doce fica igual ao tradicional, a minha resposta é "Não"!!!
Se me perguntarem se este arroz doce fica bom, a minha resposta é "Delicioso!!!"
Receita do site Paleo XXI.
1/4 de couve flor
leite de amêndoa caseiro q.b. (o suficiente para cobrir a couve flor)
1 gema
1 colher de sopa de mel
1 pau de canela
casca de limão
1 estrela de anis
1 colher de sopa de manteiga clarificada (ghee)

Triturar a couve flor (quanto mais fina melhor), colocá-la num tacho e cobrir com o leite.
Acrescentar o pau de canela, o anis, a casca de limão e o mel. Deixar cozinhar até a couve ficar bem cozida.
Com cuidado acrescentar a gema, mexendo sempre para não talhar.
Já fora do lume acrescentar a manteiga, mexendo bem para derreter e envolver.
Deixar arrefecer e polvilhar com canela.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

"A CRIANÇA DE FOGO"

Narrativa espectacular e arrepiante, momentos de suspense tão intensos e envolventes que chegamos a ficar assustados até com a nossa própria sombra.
O ambiente do livro é todo ele misterioso e assustador, desde o local ermo onde se passa a maior parte da acção, com altas falésias, mar revoltado, minas escuras e assustadoras onde já muita gente morreu...
Depois temos um leque de personagens que, por si só, nos deixam com os cabelos em pé: um garoto estranho e reservado que parece conseguir prever o futuro, ainda que esse futuro sejam apenas desgraças; um marido amoroso com um passado misterioso e desconhecido; uma sogra estranha; a nova esposa Rachel, que balança na "corda bamba"; uma casa deveras aterradora...
Quem gosta de leituras arrepiantes tem aqui um livro excelente!!!

Quando Rachel se casa com David, tudo parece encaixar-se. Ao mudar-se de uma vida de mãe solteira para a bela mansão Carnhallow na Cornualha, ela ganha riqueza, amor e até um irmão para a sua filha, Millie. É então que o seu enteado, Jamie, faz uma previsão assustadora, e a vida perfeita de Rachel começa a desmoronar-se. Assombrada pelo fantasma da falecida mulher de David, a mãe de Jamie, e à medida que suspeita que a morte daquela não tenha sido suicídio, Rachel começa a temer que as palavras do enteado se tornem realidade: «Irás morrer no Natal».
Notas sobre o autor:
S. K. Tremayne é jornalista e escritor. Nasceu em Inglaterra, em 1963, e estudou Filosofia na University College London. Como jornalista escreveu para o Times, o Daily Mail, o Sunday Times e o Guardian. Em 2013 tornou-se blogger e comentador para o Daily Telegraph, no Reino Unido. Vive em Londres e tem duas filhas.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

CREME DE COENTROS

O Inverno é a estação do ano de que menos gosto e levo os dias a queixar-me do frio, da humidade, da chuva, etc... Bem sei que temos que atravessar várias mudanças de temperatura ao longo do ano, também sei que a chuva faz falta, que é "fruta da época", mas as saudades do Verão e do calor são tantas que esta época do ano chega a deixar-me deprimida.
Para animar as noites frias vingo-me nas sopas, prato cada vez mais usado e apreciado cá em casa. E não há dúvida de que, usando a Bimby, conseguimos sopas com uma cremosidade sem igual.
Desta vez optei por servir um perfumado creme de coentros...
2 dentes de alho
1 nabo médio
1/2 couve romanesca (ou couve flor)
150gr abóbora
800gr de água (ou o suficiente para cobrir apenas ligeiramente os legumes)
50gr de coentros
sal  e azeite q.b.

Descascar todos os legumes, cortar em pedaços e colocar no copo.
Separar algumas folhas de coentros para decoração, e os restantes colocar também no copo tendo cuidado de retirar os talos mais rijos.
Cobrir os legumes com água, temperar com sal e um fio de azeite e programar 20 minutos, 100º, velocidade 1.
No final triturar a sopa durante 1 minuto, progressivamente na velocidade 3-5-7.
Servir de seguida, decorando com as folhas de coentros que reservou.
Se preferir pode adicionar uma colher de sopa de natas ou ovo cozido picado.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

"O LIVRO DOS BALTIMORE"

Livro fantástico e envolvente, com personagens que nos enchem a alma e nos fazem sentir parte da família.
É encantador conhecer a história dos Goldman, em que parte da família vive de forma mais abastada e a outra parte de forma mais simples.
Os primos, jovens da mesma idade, convivem de forma saudável, mas sempre condicionados pelo estilo de vida dos pais.
Há tantas voltas e reviravoltas ao longo da história que os factos que julgávamos como assumidos deixam de fazer sentido.
E há sempre a referência ao "Dia do Drama", que só praticamente no final do livro conseguimos perceber o que é.
Gostei muito deste livro e ao terminá-lo senti-me nostálgica e já cheia de saudades das personagens.
Até ao dia do Drama, existiam dois ramos da família Goldman: os de Baltimore e os de Montclair. O ramo de Baltimore, próspero e bafejado pela sorte, mora numa luxuosa mansão e encarna a imagem da elite americana. Já os Goldman de Montclair são uma típica família de classe média e vivem numa casa banal em Nova Jérsia. Tudo isto se transforma com o Drama. Movido pelas memórias felizes dos tempos áureos de Baltimore, Marcus Goldman procura descobrir o que se passou no dia do Drama, que mudaria para sempre o destino da família. O que aconteceu realmente aos Goldman de Baltimore?
Notas sobre o autor:
Joël Dicker nasceu em Genève, Suíça, em 1985. A verdade sobre o caso Harry Quebert é o seu segundo romance, com o qual arrecadou vários prémios: Prix de la Vocation Bleustein-Blanchet, o Grande Prémio do Romance da Academia Francesa, o Prémio Goncourt des Lycéens e o prémio da revista Lire para Melhor Romance em língua francesa. O seu primeiro romance, Les derniers jours de nos pères, venceu o Prémio dos Escritores de Genève.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

PÃO LOW-CARB

Cada vez mais em busca de uma alimentação saudável e seguindo a filosofia Paleo ("Come diferente, pensa como antigamente"), encontrei a receita de um pão maravilhoso que se come bem a qualquer hora do dia.
Quando sai do forno, quentinho, com manteiga  a derreter por cima, é uma autêntica maravilha.
É igual ao outro pão (pão branco ou integral)? Não, não é... mas tem a vantagem de ser low-carb, sem glúten, feito por nós em apenas 30 minutos e com muitos benefícios para a nossa saúde.
Arrisquem e provem, tenho a certeza que ficarão surpreendidos com o sabor. A receita foi tirada do Facebook, do grupo Paleo Descomplicado.
1 chávena de farinha de linhaça
1/4 chávena de farinha de coco
1 colher de sopa de azeite
1 colher de café de fermento em pó
4 ovos
1 colher de chá de flor de sal
1/4 de chávena de água
sementes de girassol, papoila, abóbora, etc, q.b.
* a chávena utilizada tem a capacidade de 200ml

Misturar todos os ingredientes com uma batedeira eléctrica.
Adicionar sementes a gosto à massa.
Forrar uma forma rectangular com papel vegetal, verter a massa e levar ao forno, pré-aquecido a 180º, durante 25 minutos.
Notas: 
* fica um pão relativamente pequeno, se quiserem um pão maior basta dobrar as quantidades, mantendo o mesmo tempo de cozedura
* podem usar linhaça amarela ou castanha (farinha) que o resultado final a nível de sabor é o mesmo, já fiz com as duas e sai sempre bem
* uma das vezes em que fiz a receita esqueci-me de adicionar a água à massa, mas o pão ficou praticamente igual, por isso se se esquecerem da água não faz mal

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

"BALA SANTA"

Gosto da escrita de Luís Miguel Rocha e é realmente uma pena que este jovem escritor já não esteja entre nós, pois tinha uma maneira muito própria e "sui generis" de nos contar as coisas.
Mas neste livro, sinceramente, pareceu-me que divagou demais... há um excesso de personagens que se tornam desnecessárias para o desenrolar das história, pois a certa altura são tantos nomes que aparecem que se torna difícil saber quem é quem e de que lado está.
De qualquer forma a história é interessante e põe em causa (uma vez mais) certos factos relacionados com a Igreja, que se apresentam de forma ligeiramente diferente daquela que sempre fomos habituados a conhecer.
Sinceramente espero que o livro seguinte seja mais fácil de ler e que não envolva tantas personagens.
De salientar uma frase que me ficou na memória e tenho a certeza que nunca mais irei esquecer:
"Nenhuma bala pode matar se não for essa a vontade do Senhor!"

Que acontecimentos estiveram por detrás da tentativa de assassinato do Papa na praça do Vaticano em 1981? Quem é, e o que sabia verdadeiramente Alia Agca, o turco que disparou contra João Paulo II?
Que forças ocultas gerem os destinos da igreja católica e conseguem nomear e destronar Papas, ocultando impunemente as suas acções?
Uma jornalista internacional, um ex-militar português, um muçulmano que vê a Virgem Maria, um padre muito pouco ortodoxo que trabalha directamente sob as ordens do sumopontífice, vários agentes dos serviços secretos mais influentes do mundo e muitos outros personagens dos quatro cantos do globo, envolvem-se numa busca pela verdade e descobrem que ela nem sempre é útil. Pelo menos não o foi para João Paulo II.
Notas sobre o autor:
Luís Miguel Rocha nasceu na cidade do Porto, em 1976. Foi técnico de imagem, tradutor, editor e guionista, até se dedicar em exclusivo à escrita. Publicou seis títulos: Um País Encantado, O Último Papa, Bala Santa, A Virgem, A Mentira Sagrada e A Filha do Papa. As suas obras estão traduzidas em mais de 30 países. O Último Papa marcou presença no top do The New York Times e vendeu meio milhão de exemplares em todo o mundo. Luís Miguel Rocha morreu a 26 de março de 2015, em Viana do Castelo.