Foto de Aguinaldo Vera-CruzUma das melhores recordações que tenho da minha infância é das minhas idas para a praia do Castelejo (essa que está na foto acima) com o meu pai. Era eu bem pequena, íamos os dois de mota, eu ficava na areia brincando e apanhando sol, enquanto o meu pai aproveitava a maré baixa para andar a mariscar, apanhando lapas, burgaus e muitas vezes polvos.
Para o meu pai os melhores polvos eram os pequenos (entre 600 a 800 gr) pois, segundo ele, eram os que ficavam mais tenros e mais saborosos fritos.
Como a minha mãe nunca gostou muito de polvo, normalmente quem o cozinhava sempre era o meu pai, e ele fazia o melhor polvo frito do mundo. E ainda por cima é feito de uma maneira muito simples, nem dá trabalho nenhum. Foi com o meu pai que aprendi a fazer esta maravilha.
Num tacho colocar 3 ou 4 dentes de alho picados, uma folha de louro e cobrir o fundo do tacho com óleo, levando a aquecer até o alho alourar.
Colocar os polvos no tacho (que devem ser polvos pequenos) e manter o lume forte, tapando o tacho, de modo a que os polvos libertem bastanta água.
Quando os polvos tiverem libertado bastante líquido baixar o lume e deixar fritar lentamente, vigiando e virando os polvos de vez em quando para que não queimem (se achar que está a ficar com pouco líquido pode sempre juntar-se um pouco de vinho branco).
Não é necessário sal, o polvo já é salgado por natureza e cozinhado desta forma mantém todo o seu sabor. Quando muito pode pôr-se uma pitada de pimenta preta ou piri-piri.
Depois dos polvos fritos e tenros colocar numa travessa e cortar em pedaços. Regar com o molho (que nunca fica muito, tem que ficar é bem apuradinho) e servir com arroz branco.
Nota: eu e o meu pai ainda gostávamos mais de comer este petisco frio, muitas vezes o meu pai fazia-o para o levarmos para pic-nics. E o meu pai gostava dele bastante picante, por vezes até fazia arder a língua... LOL!